Osteopatia e dores Lombares: quando procurar ajuda?

DOR LOMBAR (LOMBALGIA)

A lombalgia é um motivo frequente de consulta em Medicina Geral e Familiar.

A sua prevalência é conhecida em vários países atingindo valores elevados, o que torna a lombalgia um problema de saúde pública.

De acordo com a "Global Burden of Disease", a dor lombar afeta 619 milhões de pessoas a nível mundial, constituindo atualmente a principal causa de incapacidade a nível mundial. Sendo expectável que, em 2050, afete mais de 843 milhões de pessoas.

As dores lombares podem resultar em incapacidade laboral e, por conseguinte, a reabilitação é aconselhada.

As dores lombares são uma condição que afeta indivíduos de todas as idades, embora a sua incidência aumente significativamente após os 80 anos. O pico mais alto de incidência ocorre, em geral, entre os 50 e os 55 anos de idade.

As dores lombares afetam mais as mulheres.

A ocorrência de dores lombares não específicas, ou seja, dores lombares cuja etiologia não é claramente definida, é comum em 90% dos casos.

A região lombar corresponde à porção inferior da coluna, situada entre as costelas inferiores e as nádegas. A dor na região em questão é uma das queixas músculo-esqueléticas mais prevalentes, podendo manifestar-se de forma aguda ou crónica, dependendo da sua duração.

As dores lombares podem limitar a capacidade de realizar atividades laborais ou sociais, afetando a interação com os amigos e a família.

As dores lombares podem ter uma etiologia multifatorial, incluindo doenças subjacentes, alterações da coluna vertebral ou irradiações de outras partes do corpo.

As dores lombares não específicas, que correspondem a 90% dos casos, não apresentam uma correlação com a coluna vertebral ou com alguma doença subjacente.

Em função da etiologia subjacente, a reabilitação pode ser crucial, uma vez que auxilia na gestão da dor, facilita a retomada das atividades quotidianas e promove a implementação de estratégias de suporte à recuperação e à melhoria funcional.

 

 

 

Dimensão do problema

A dor lombar (DL) apresenta a maior prevalência global entre as condições musculoesqueléticas, sendo a principal causa de incapacidade a nível mundial. Esta condição representa a principal fatia da população elegível para programas de reabilitação.

A lombalgia afeta pessoas de todas as idades, incluindo crianças e adolescentes. A maioria dos indivíduos experimenta, pelo menos, um episódio de dor lombar em determinado momento da sua vida.

A prevalência e o impacto incapacitante da dor lombar atingem o seu pico entre os 80 e os 85 anos de idade. Além disso, à medida que envelhecemos, os episódios recorrentes tornam-se mais comuns.

A dor lombar crónica é uma das principais causas de absentismo laboral, de limitação da participação social e de diminuição da qualidade de vida em todo o mundo. Devido à sua elevada prevalência, representa também um enorme fardo económico para a sociedade. Por estas razões, deve ser considerada um problema de saúde pública global importante.

A dor lombar pode manifestar-se como uma dor ligeira e persistente ou como uma dor intensa e aguda. Pode igualmente irradiar para outras partes do corpo, nomeadamente para as pernas.

Além de limitar os movimentos da pessoa, a dor lombar afeta o seu desempenho profissional e escolar, bem como a sua participação na comunidade. Além disso, pode provocar perturbações do sono, alterações de humor e sofrimento psicológico.

A dor lombar pode ser classificada como:

- Aguda, com duração inferior a seis semanas

- Subaguda: entre seis e 12 semanas

• Crónica: com uma duração superior a 12 semanas.

Na maioria dos casos de dor lombar aguda, os sintomas desaparecem espontaneamente e a recuperação ocorre sem complicações. No entanto, em algumas pessoas, os sintomas podem persistir e evoluir para dor crónica.

Alguns indivíduos podem também sentir dores que se irradiam para a perna, frequentemente designadas por ciática ou dores radiculares. Esta dor pode ser descrita como uma sensação de choque elétrico, formigueiro, dormência ou fraqueza muscular, ou como uma dor surda.

 

A dor radicular, quando associada à dor lombar, resulta frequentemente da compressão ou irritação de uma raiz nervosa espinal.

Em certos casos, os sintomas radiculares podem ocorrer mesmo na ausência de dor lombar, quando há compressão ou lesão de um nervo fora da coluna vertebral.

Todas estas manifestações afetam significativamente o bem-estar e a qualidade de vida, podendo conduzir a uma diminuição da produtividade no trabalho e a consequências económicas relevantes, sobretudo em pessoas com sintomas crónicos.

Sintomas mais comuns:

- Dor localizada na parte inferior das costas (acima da bacia);

• Sensação de rigidez, sobretudo de manhã;

• Dificuldade em permanecer sentado ou de pé por longos períodos

- Dor que pode irradiar para os glúteos ou pernas, podendo causar formigueiro ou sensação de choque.

 

O que pode estar a causar esta dor?

Má postura: passar muitas horas na mesma posição (ao computador ou ao volante).

Sobrecarga: levantamento de pesos de forma incorreta ou movimentos bruscos.

- Sedentarismo e falta de tonicidade: músculos fracos na zona central do corpo (abdominais e zona lombar), que não proporcionam o apoio necessário à coluna.

Stress: a tensão emocional reflete-se frequentemente na rigidez muscular das costas.

• Questões estruturais, como hérnias discais ou inflamações nas articulações.

Causas e fatores de risco:

A dor lombar pode ser classificada como específica ou não específica.

A dor lombar não específica ocorre quando não é possível identificar uma doença, lesão ou alteração estrutural que explique claramente os sintomas. Cerca de 90% dos casos enquadram-se nesta categoria.

Os principais fatores de risco incluem:

• Baixos níveis de atividade física

• Tabagismo

• Obesidade

• Elevada exigência física no trabalho.

A dor lombar específica ocorre quando existe uma causa identificável, por exemplo:

• Cancro

• Fraturas

• Doenças inflamatórias

Tratamento e gestão

O tratamento depende da natureza da dor e da sua classificação como específica ou não específica.

Nos casos de dor lombar específica, o tratamento deve incidir na condição subjacente responsável pelos sintomas.

Para a dor lombar não específica, as estratégias recomendadas incluem:

- Osteopatia, acupuntura e outras terapias físicas para melhorar a força muscular, a mobilidade e o regresso à atividade física

Exercício terapêutico regular

— Apoio psicológico e social para ajudar na gestão da dor e no regresso às atividades significativas.

- Redução da sobrecarga física no trabalho;

- Alterações do estilo de vida, incluindo o aumento da atividade física, uma alimentação saudável e hábitos de sono adequados.

• Os medicamentos podem ajudar a controlar os sintomas, mas devem ser utilizados em conjunto com outras intervenções. Os analgésicos não devem constituir o primeiro tratamento para a dor lombar.

As pessoas idosas ou com outras condições de saúde devem consultar um profissional de saúde antes de iniciarem qualquer medicação.

Desde o aparecimento dos sintomas, é essencial realizar uma avaliação clínica abrangente, que inclua um exame físico e uma avaliação dos fatores psicossociais, a fim de adaptar os cuidados às necessidades, valores e preferências de cada pessoa.

Quanto mais prolongada for a duração da dor lombar, maior será a probabilidade de surgirem limitações funcionais. Nesses casos, é particularmente importante adotar uma abordagem biopsicossocial.

A reabilitação abrange um conjunto de intervenções destinadas a promover a independência nas atividades diárias, a participação social, profissional e comunitária, bem como o bem-estar geral.

• As intervenções não farmacológicas assumem, na maioria dos casos, um papel prioritário.

 

 

Autocuidado

O autocuidado é fundamental para gerir a dor lombar e retomar as atividades diárias.

As principais recomendações incluem:

• Manter-se fisicamente ativo

- Promover o bem-estar psicológico

• Manter um peso corporal saudável

• Evitar o consumo de tabaco

• Dormir adequadamente

• Manter-se envolvido em atividades sociais e profissionais

• Efetuar ajustes ergonómicos no local de trabalho

A educação e o apoio profissional ajudam as pessoas a desenvolver estratégias eficazes de autogestão da dor, reduzindo o impacto da doença e melhorando a qualidade de vida.

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